Capítulo 2 — A Regra do Sino
Resumo
Entre o trabalho pesado e conversas sobre o futuro, a rotina dos lenhadores na floresta é interrompida por uma mudança súbita no clima e o silêncio suspeito da tarde.
Meses se passaram.
No centro da floresta, onde o riacho descia em direção à aldeia, o som dos machados ecoava pela manhã.
Toc!
— Você errou.
Toc!
— Não errei.
Zeph parou o machado no ar e olhou para Oskar.
— Quer cortar no meu lugar?
— Não.
— Então cale a boca.
Oskar abriu um sorriso.
— Acertei. O corte está torto.
Zeph estreitou os olhos.
— Não está. Quer apostar?
— Apostado. Se eu derrubar primeiro, você carrega minhas toras.
— E se eu ganhar, você limpa os peixes de todo mundo hoje.
— Fechado.
Os dois ergueram os machados.
— Um… Dois… Três!
Os machados golpeavam a madeira no mesmo ritmo. Zeph ajustava o ângulo, Oskar acompanhava de perto, enquanto outros lenhadores ao redor riam da dupla e balançavam a cabeça.
Mais abaixo, nas margens rasas do riacho, os pescadores recolhiam as redes e separavam as capturas em cestos.
— Está perdendo! — gritou Oskar, voltando a atenção para a disputa.
— Continue sonhando! — retrucou Zeph.
A rachadura aumentou. Zeph deu mais um golpe certeiro.
CRAC!
— Acho que ganhou — disse um dos lenhadores mais velhos.
A árvore inclinou e caiu com estrondo.
CRASH!
Folhas e galhos levantaram uma nuvem de poeira. Oskar abriu os braços, mas Zeph apontou para o tronco.
— Ela caiu para o meu lado. Você perdeu. Vai limpar os peixes.
Oskar levou a mão ao peito, fingindo ofensa.
— Traição! Alguém viu isso?
Um dos pescadores, já subindo a margem com uma cesta pesada, gritou de longe:
— Zeph ganhou! E se vão continuar discutindo, venham logo ajudar a carregar isso aqui!
Os homens riram. Era assim que trabalhavam. Machado, suor e madeira, extraindo o sustento da Aldeia do Lorde Gudran. E quanto mais a comunidade crescia, mais longe precisavam entrar na mata.
Zeph pegou novamente o machado.
— Precisamos cortar as toras em pedaços menores e guardar nas carroças antes que escureça.
— Vamos logo! Não temos tempo a perder.
Oskar pegou o dele, o tom ficando um pouco mais sério.
Os lenhadores continuavam a trabalhar.
O tempo era traiçoeiro na floresta.
Mas todos sabiam que deveriam respeitar a regra do sino.
Os pássaros emudeceram.
Zeph olhou para Oskar.
— Parece estar escurecendo. Você escutou o sino?
— Se o sino não tocou, é porque não está na hora de ir embora. Acho que você está convivendo muito com o seu sogro — respondeu Oskar, seguido de gargalhadas.
— Estou falando sério, Oskar.
Zeph ergueu os olhos para o céu.
As nuvens começavam a esconder o último brilho do dia.
Ele suspirou.
Oskar olhou para ele.
— Está com pressa?
Zeph soltou um pequeno sorriso.
— Sou um homem recém casado, ainda não me acostumei com a ideia de que alguém está me esperando em casa.
Oskar riu.
— Mentira. Você só está com medo de chegar tarde e ouvir reclamação.
— Também, Amara as vezes é um pouco brava.
Desde que Amara lhe contara a novidade, voltar para casa havia ganhado outro significado.
Agora não era apenas ela quem o esperava.
Havia uma pequena vida crescendo dentro dela.
Zeph ainda não conseguia acreditar que seria pai.
— Estou ansioso para voltar logo para casa, meu amigo.
Oskar soltou uma risada.
— Imagino. Amara deve estar esperando você chegar para reclamar que o futuro pai anda trabalhando demais.
Zeph sorriu.
— Ela já começou com isso.
— E você achou que seria diferente? — Oskar balançou a cabeça.
— Agora que vai ser pai, meu amigo, pode se acostumar. Vai ouvir reclamações em dobro.
Zeph riu baixo.
— Só queria chegar em casa, sentar à mesa com Amara e ouvir como foi o dia dela.
Oskar deu um tapinha no ombro do amigo.
— Já pensou em um nome para o bebê?
Zeph soltou uma pequena risada.
— Sim. Se for menina, vai se chamar Yara.
Oskar ergueu as sobrancelhas.
— Bonito nome. Qual o significado?
— Significa “senhora das águas”.
— Minha mãe dizia que nomes são como correntezas, que a gente escolhe para onde a vida de quem amamos vai desaguar. Quero que ela seja livre como um rio que ninguém consegue amarrar, forte o bastante para escavar o próprio caminho pela rocha, se precisar.
Oskar ficou em silêncio por um instante.
— Oww… isso foi profundo. Não sabia que debaixo dessa cabeleira havia um cérebro.
Zeph soltou uma risada.
— E se for menino?
O sorriso de Zeph diminuiu um pouco.
Ele olhou para o machado em suas mãos antes de responder.
— Orion.
Oskar percebeu a mudança em seu tom.
— Orion?
Zeph assentiu.
— Era o nome do meu pai.
Oskar ficou em silêncio por alguns segundos.
— Você nunca falou muito sobre ele.
Zeph respirou fundo.
— Minha mãe dizia que ele era um caçador de demônios formidável. Um dos melhores que já existiram.
— Caçador de demônios?
— Sim, está no meu sangue, acredite ou não.
Zeph passou o polegar pelo cabo do machado.
— Ela dizia que ele não tinha medo de nada. Que enfrentava criaturas que fariam qualquer homem correr.
Oskar observou o amigo em silêncio.
— Você chegou a conhecê-lo?
Zeph balançou a cabeça.
— Não.
Uma breve pausa.
— O destino não me deu essa chance.
Oskar abaixou os olhos.
Zeph permaneceu olhando para a floresta.
— Nunca soube como ele era de verdade. Só conheço o homem que minha mãe descreveu.
Ele respirou fundo.
— Talvez dar o nome dele ao meu filho seja a única forma que encontrei de fazer com que ele continue existindo… mesmo que seja só na memória.
Oskar sorriu discretamente.
— Então já decidiu tudo?
Zeph balançou a cabeça.
— Só os nomes.
Oskar riu.
— E o resto?
Zeph olhou para ele.
— O resto… acho que vou aprender quando ele chegar.
— É bom ver você assim. Nunca imaginei que aquele menino bagunceiro fosse virar um homem sério.
Zeph olhou para ele e sorriu.
— Nem eu.
Por alguns segundos, os dois ficaram em silêncio.
— Vamos terminar logo — disse Zeph, pegando o machado novamente.
— Não achei que você gostasse do trabalho pesado, Zeph.
— Gosto de trabalhar, não de testar a sorte com o escuro chegando.
— Por favor, não vamos entrar nesse papo de histórias sombrias novamente. — Oskar sorriu
— Alias, seu sogro ainda conta aquelas histórias sobre a floresta?
Zeph soltou um suspiro.
— Darian só diz o que todo mundo na aldeia prefere esquecer, Oskar. A floresta tem regras.
— De qualquer forma, é melhor estarmos fora daqui antes de anoitecer.
Oskar assentiu, o humor dando lugar à cautela.
— Sim. Respeitar a regra: tocou, vazou. Porém, ainda não tocou.
Zeph deu um pequeno sorriso.
— Não se acostume a concordar comigo.
Os dois voltaram ao trabalho. Ao redor deles, o som das risadas foi sendo substituído pelo ritmo constante do ferro contra a madeira.
Mas, à medida que a tarde avançava, o ambiente começou a mudar.
Nuvens densas e escuras rolaram de cima da montanha, cobrindo o céu com rapidez. A luz dourada evaporou, substituída por uma penumbra opaca, cinzenta e fria.
Ao longe, perto do rio, os pescadores silenciaram.
— O sino… já era para ter tocado — murmurou Zeph, franzindo a testa e erguendo os olhos.
— Talvez… talvez o sino tenha emperrado.
— Só iremos descobrir quando voltarmos.
Uma lufada de vento gelado chicoteou as árvores e rastejou pelo chão.
Zeph olhou para baixo. Uma fina camada de névoa branca serpenteava silenciosa entre as raízes, cobrindo a terra e subindo pelas botas dos homens.
Oskar deu um passo para trás, os olhos arregalados de pânico.
— Você está vendo isso?
— Estou — disse Zeph, o coração disparando. — Acabou o turno. Vamos voltar agora.
— Concordo plenamente! — gaguejou Oskar, já virando o corpo em direção ao grupo que começava a recuar apressado.
— Vão todos saindo! — berrou o lenhador mais velho lá da frente, a voz ecoando abafada pela neblina que engrossava rapidamente. — Juntem o que der e andem logo!
— Espera! Estou recolhendo as redes — gritou um homem próximo das margens do rio.
— Voltem agora! Todos para as carroças! — gritou o velho.
Os homens se apressaram e recolheram tudo o que puderam.
— Vão na frente, Oskar — disse Zeph rapidamente. — Esqueci minha corda ali perto das margens. Pego em dois segundos e te alcanço.
— Zeph, não inventa loucura, olha essa névoa! — Oskar protestou, puxando o braço do amigo.
— Vai logo, eu estou atrás de você!
Sem esperar, Zeph deu meia-volta e correu os poucos metros até o tronco.
Abaixou-se, desamarrou a corda às pressas e a enrolou sobre o ombro.
— Pronto…
Quando se levantou, ouviu alguma coisa.
— Pai…
Zeph congelou.
A voz era fraca.
Tão fraca que, por um instante, pensou ter imaginado.
Olhou para os lados.
Nada.
Apenas a névoa.
— Quem está aí?
Silêncio.
Zeph apertou os olhos, tentando enxergar através do branco.
Então ouviu novamente.
— Pai, você não vai voltar?
Dessa vez, mais claro.
Era a voz de uma criança.
Zeph sentiu um arrepio percorrer a nuca.
— Tem alguém aí?
Deu um passo na direção da voz.
Zeph parou.
Havia algo naquela voz.
Algo familiar.
Não sabia explicar o quê.
Seu coração apertou.
Por um breve instante, pensou em Amara.
Pensou no filho que ainda estava sendo gerado.
— Onde você está?
Zeph avançou.
Mais um passo.
E outro.
A voz parecia estar sempre alguns metros à frente.
— Pai, por que você me deixou?
— Espera! — chamou ele. — Eu estou aqui!
Nenhuma resposta.
Zeph olhou para trás.
A voz de Oskar e dos outros homens já havia desaparecido.
Ele franziu a testa.
A névoa havia se fechado como uma muralha branca, engolindo os troncos, o rio e o som dos homens. O mundo havia sumido.
Zeph parou, o ar preso na garganta.
— Oskar? — chamou, a voz tensa.
Nenhuma resposta. Apenas o silêncio pesado da floresta o cercando.
Então, cortando a densidade daquele nada absoluto…
Dong.
O primeiro toque do sino soou longínquo.
Mas soou tarde demais.
E o som parecia vir de todos os lugares ao mesmo tempo.
Zeph permaneceu imóvel.
A mão ainda segurava a corda.
Seus olhos tentavam atravessar a névoa, mas não havia nada para enxergar.
Nada.
Nem árvores.
Nem rio.
Nem mesmo o chão alguns passos à frente.
A névoa era tão densa que parecia ter peso. Enroscava-se em suas pernas, subia pelo peito e cobria seu rosto com um frio úmido que fazia sua pele arrepiar.
Zeph respirou fundo.
O ar entrou gelado.
Raso.
Pesado.
— Oskar?
Sua voz morreu poucos metros à frente.
Nenhuma resposta.
Zeph deu um passo.
A bota afundou na terra úmida.
Mais um.
Ele estendeu a mão.
Seus dedos tocaram alguma coisa.
Madeira.
O tronco.
Zeph soltou o ar que nem percebeu estar prendendo.
— Certo…
Olhou para trás.
Ou tentou.
A névoa havia apagado completamente o caminho.
Era como se o mundo tivesse sido reduzido a um pequeno círculo ao redor de seu corpo.
Zeph virou lentamente.
Dessa vez, gritou.
— Oskar!
Seu coração começou a bater mais forte.
Ele conhecia aquela floresta.
Conhecia as árvores.
Conhecia o rio.
Conhecia o caminho de volta.
Mas agora não reconhecia coisa alguma.
A névoa escondia tudo.
Zeph deu mais alguns passos.
Parou.
Esperou.
Talvez escutasse alguma coisa.
Um grito.
Passos.
O rangido de uma carroça.
Qualquer coisa.
Nada.
Então…
Dong.
O segundo toque do sino.
Zeph estremeceu.
Dessa vez, o som pareceu muito mais próximo.
Tão próximo que ele teve a impressão de que o sino havia tocado dentro de sua própria cabeça.
Zeph apertou a corda.
— Isso não está certo.
A voz saiu baixa.
Ele tentou encontrar o caminho seguindo suas próprias pegadas.
Abaixou-se.
A terra estava úmida demais.
As marcas das botas haviam desaparecido.
Zeph passou a mão pelo chão.
Nada.
Ele se levantou rapidamente.
Girou para um lado.
Depois para o outro.
A névoa permanecia imóvel.
Não havia vento.
Não havia pássaros.
Não havia insetos.
Não havia o rio.
Só aquele branco.
Aquele maldito branco.
Zeph começou a andar mais depressa.
— Oskar!
Nada.
— Rapazes!
Sua respiração ficou pesada.
Ele acelerou.
Três passos.
Cinco.
Dez.
Parou.
Olhou ao redor.
O mesmo lugar.
Ou pelo menos parecia o mesmo lugar.
A árvore à sua frente.
A pedra parcialmente enterrada.
A raiz grossa atravessando o chão.
Zeph franziu a testa.
Ele já havia passado por ali.
Tinha certeza.
Voltou.
Caminhou na direção oposta.
Dez passos.
Vinte.
Trinta.
A árvore apareceu novamente.
Zeph congelou.
O sangue pareceu abandonar seu rosto.
O que está acontecendo com minha mente? Isso não pode ser real… pensou Zeph.
Ele fechou os olhos por um segundo, buscando com desespero a lembrança do rosto de Amara, o calor de suas mãos, a voz chamando seu nome na porta de casa.
E então lembrou-se de suas palavras.
“Você vai ser pai.”
Zeph abriu os olhos.
Não podia morrer ali.
Não agora.
Por um instante, uma lembrança antiga atravessou sua mente.
A ausência.
O vazio de crescer sem conhecer o rosto do próprio pai. Sem ouvir sua voz. Sem ter uma mão para segurá-lo quando o medo chegava.
Zeph apertou os dentes.
Eu não vou deixar isso acontecer.
Levou a mão ao peito.
Meu filho não vai crescer como eu.
Não vai se perguntar quem era o pai.
Não vai crescer sem saber como é ser amado por ele.
Zeph respirou fundo, sentindo os olhos arderem.
— Eu vou voltar… — sussurrou.
A voz saiu trêmula.
— Eu prometo.
Não podia morrer ali.
Não quando finalmente tinha algo além de si mesmo para proteger.
Ele olhou para cima.
Não conseguiu enxergar nem mesmo os galhos.
A névoa havia engolido tudo.
Então ouviu alguma coisa.
Um som baixo.
Muito distante.
Zeph levantou a cabeça.
Silêncio.
Então…
Toc.
Toc.
Toc.
Não era o sino.
Era madeira.
Como se alguma coisa estivesse batendo em uma árvore.
Zeph ficou imóvel.
O som veio novamente.
Toc.
Pausa.
Toc.
Pausa.
Toc.
Ele segurou o machado.
— Quem está aí?
Nenhuma resposta.
Zeph deu um passo para trás.
O som parou.
E, naquele instante, ele percebeu algo que fez seu estômago gelar.
A névoa atrás dele havia se movido.
Não como uma nuvem levada pelo vento.
Como alguma coisa que respirava.
Zeph virou-se lentamente.
Nada.
Apenas o branco.
Ele apertou o cabo do machado.
— Vamos…
Tentou convencer a si mesmo.
— É só névoa.
— Só névoa.
Outro.
— Nada além disso.
Mas sua própria voz já não parecia convencida.
Do outro lado da névoa, algo se moveu.
Rápido.
Zeph ergueu o machado.
— Quem está aí?!
Então uma voz distante.
Fraca.
Parecia de uma senhora.
Ecoava pela névoa.
— Zeph…
Ele congelou.
Zeph avançou imediatamente.
— Quem é você? O que quer de mim?
— Zeph…
A voz veio novamente.
Mais distante.
Zeph correu.
A névoa se fechava ao seu redor.
Cada passo parecia levá-lo para dentro de um lugar ainda menor.
Ele não conseguia respirar direito.
O ar parecia espesso.
Quente dentro do frio.
Sua mão tremia no cabo do machado.
A floresta está consumindo minha mente! Droga! Darian sempre esteve certo sobre essa maldita floresta… pensou Zeph.
Então percebeu.
A voz não havia vindo da frente.
Veio de trás.
Zeph parou.
Virou lentamente.
A névoa estava vazia.
Completamente vazia.
E então o sino tocou pela terceira vez.
DONG.
Zeph caiu de joelhos.
O som atravessou seu corpo como uma pancada.
Por alguns segundos, ele não conseguiu pensar.
Não conseguiu se mover.
Só ouviu o eco desaparecendo entre as árvores invisíveis.
O desespero, frio e cortante como a névoa, despencou sobre seu peito. As mãos cerradas afundaram na terra úmida enquanto ele deixava escapar um soluço sufocado.
Amara… — pensou, a voz quebrada perdendo-se no silêncio da mata.
Por favor… me perdoe. Eu só queria ter voltado a tempo. Eu queria ver o seu sorriso novamente.
Quando finalmente tentou se levantar, percebeu que não estava sozinho.
Atrás dele, uma silhueta encapuzada ergueu-se em silêncio.
O corpo de Zeph gelou.
Ele se virou rapidamente.
Antes que pudesse entender o que estava diante dele, uma mão enfaixada surgiu do branco denso e fechou-se ao redor de seu pescoço. Uma força desumana o arrancou do chão.
Zeph debateu-se em pânico. O machado despencou enquanto suas mãos agarravam as ataduras da criatura, tentando inutilmente afastar aquela força.
Por alguns segundos, a criatura apenas o encarou em silêncio.
Zeph não conseguia compreender o que via.
Então, através da névoa atrás dela, algo se moveu.
Uma figura surgiu lentamente, arrastando os pés.
Uma velha corcunda, de feições cadavéricas, olhos fundos.
Enquanto a criatura, num movimento brusco, apertou ainda mais o pescoço de Zeph.
— Não o mate. Precisamos dele vivo — sibilou a velha.
— Ele é a chave.