Capítulo 3 — As Risadas na Névoa

Capítulo 3 — As Risadas na Névoa

Enquanto Oskar tenta desafiar as regras da mata para resgatar o amigo, o terror toma conta do grupo com vozes invisíveis na neblina, obrigando uma fuga desesperada em direção à aldeia.

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— Zeph!

Oskar gritava enquanto caminhava entre os homens.

A névoa já cobria quase tudo.

Os lenhadores estavam reunidos perto das carroças, alguns carregando ferramentas, outros tentando acomodar às pressas as toras que haviam cortado.

Três carroças.

Duas cheias de lenha.

A terceira carregava redes, peixes, ferramentas e alguns suprimentos recolhidos durante o dia.

Os cavalos estavam inquietos.

Um deles puxava as rédeas, bufando nervosamente.

Oskar tentou avançar.

— Eu vou buscar ele.

O lenhador mais velho agarrou seu braço.

— Não.

— Solta!

— Você não vai.

— Ele está lá dentro! Eu vou trazer meu amigo de volta!

— Você será mais um perdido na floresta!

— A regra existe por uma razão — disse o velho.

— Que se dane a regra!

— Não.

A resposta veio de outro homem.

— Você sabe o que acontece quando alguém se afasta do grupo depois do sino.

Oskar encarou os homens.

Ninguém parecia disposto a entrar na névoa.

— Então vocês vão simplesmente deixá-lo lá?

Ninguém respondeu.

O silêncio pesou entre eles.

Até que o homem mais velho respirou fundo.

— Não estamos deixando Zeph.

Ele apontou para o caminho da aldeia.

— Estamos voltando para buscar ajuda, enquanto ainda conseguimos enxergar o caminho de volta!

— E se ele não estiver lá quando voltarmos?

Todos ficaram em silêncio.

— Não! nós vamos buscar ajuda Oskar.

Oskar abriu a boca para responder, mas não conseguiu.

Um dos lenhadores levou a mão à cabeça.

— Esperem…

Ele cambaleou levemente.

— Estou me sentindo meio tonto.

Outro homem franziu a testa.

— Eu também.

Passou a mão pela testa e respirou fundo.

— Minha cabeça… parece estar leve.

Oskar olhou para os dois.

— O que está acontecendo?

Então…

Uma risada surgiu dentro da névoa.

— Hehehehehe…

Todos pararam.

Era uma risada feminina.

Baixa.

Aguda.

Distante.

Um dos homens ergueu a cabeça.

— O que foi isso?

Ninguém respondeu.

Outra risada surgiu.

Dessa vez, de outro lado.

— Hihihihihi…

Os homens se entreolharam.

Então uma terceira respondeu.

Mais longe.

O silêncio morreu.

Agora havia risadas por toda parte.

À esquerda.

À direita.

Atrás das árvores.

Eram vozes diferentes.

Rindo umas com as outras.

Como se estivessem escondidas ao redor dos homens.

Os cavalos começaram a se agitar.

Um deles puxou violentamente as rédeas e relinchou.

— Ele vai escapar!

Outro cavalo começou a bater os cascos contra o chão.

— Por Deus…

— O que está acontecendo com eles?

O animal recuou, olhos arregalados, bufando desesperadamente.

Um dos lenhadores empalideceu.

— Os cavalos…

Ele olhou para os outros.

— Eles estão sentindo.

— Sentindo o quê?

O homem apertou o cabo do machado.

Uma nova gargalhada cortou a névoa.

Dessa vez, tão próxima que alguns homens deram um passo para trás.

O homem mais jovem fez o sinal da cruz.

A palavra saiu mais alta.

Outro começou a rezar.

— Pai nosso que estais no céu…

— Reza mais alto — murmurou alguém.

— Santa Maria, mãe de Deus…

Mais dois homens começaram a acompanhar.

As vozes se misturavam.

— Livrai-nos do mal…

— Protegei-nos desta noite…

— Pelo amor de Deus…

Os machados foram erguidos.

Um após o outro.

Não para atacar.

Mas porque ninguém queria estar desarmado.

Oskar olhou para todos, incrédulo.

— Vocês estão ficando loucos?

Uma das risadas surgiu novamente.

Agora eram várias.

Sobrepostas.

Algumas pareciam distantes.

Outras pareciam estar logo atrás deles.

Oskar se virou.

Nada.

Apenas a névoa.

Oskar avançou.

— Não brinquem comigo, Eu vou buscar ele!

Dois homens agarraram seus braços.

— Me solta!

— Você não vai entrar!

— ELE ESTÁ LÁ DENTRO!

Oskar tentou se libertar.

— Eu não vou abandonar meu amigo!

— Você quer morrer?

— Me solta!

Ele se debateu.

Um terceiro homem segurou-o.

— Precisamos ir!

— NÃO!

Por um instante…

As risadas pararam.

Todas.

Ao mesmo tempo.

Os homens congelaram.

Então, de dentro da névoa…

uma voz feminina sussurrou:

— Zeph… Ele já está morto.

— Mentira! Seu monstro! — esbravejou.

Oskar parou de lutar.

A voz veio de muito longe.

Outra respondeu.

— Zeph…

E outra, e outra…

O velho fechou os olhos.

— Para as carroças.

— Mas—

— AGORA!

Os homens correram.

— Deixem as ferramentas!

— Não! Levem os machados!

— Peguem as tochas!

— E os cavalos!

Oskar ainda resistia.

Quando um quarto lenhador ajudou a arrastá-lo até uma das carroças.

— EU VOU VOLTAR MEU AMIGO!

Oskar foi colocado à força dentro da carroça.

Um dos homens o segurou pelos ombros.

— Você vai conosco, se ficarmos aqui, ninguém volta para buscar ninguém.

Oskar parece ter entendido que nada podia fazer naquele momento para ajudar seu amigo.

— Vamos rapazes!

As três carroças começaram a se mover.

Oskar olhou para a floresta.

Desculpe-me meu amigo, nada posso fazer…

Então…

Uma risada ecoou atrás deles.

Depois outra.

E outra.

Até que a floresta inteira pareceu rir.

Os cavalos dispararam, cortando a neblina à frente.

As rodas esmagaram a terra úmida.

Os homens seguraram os machados com força.

Alguns continuavam rezando.

Ninguém olhou para trás.

Exceto Oskar.

Ele olhou.

E, por um breve instante, enxergou silhuetas dentro da névoa.

Observando.

Sorrindo.

Então a névoa fechou-se completamente.

Tudo desapareceu.

Mas as risadas continuaram.

Mesmo quando a floresta já estava longe.

Mesmo quando as carroças já haviam tomado o caminho da aldeia.

E, muito atrás deles…

Dong.

O sino tocou novamente.

Dessa vez… Se perdeu no vazio da floresta.

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